quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

UM CASO DE RELIGIÃO


Um desabafo pessoal.
Infelizmente, quando acredito em meus sentimentos, quando acredito que as religiões poderiam se unir numa unidade divina, os cultos religiosos proliferam pelo País.
Pessoas despreparadas leem a Bíblia.
Com poucos conhecimentos de base filosófica e teológica interpretam-na a sua maneira, e tornam-se pregadores de Deus e formam suas Igrejas.
Se Deus pertencesse a todos os cultos, certamente que não pertenceria a nenhum.
Se existe um único Deus, com certeza ele seria a única religião verdadeira.
E só ali ele poderia estar, não noutro lugar.
Ninguém conseguiria deter o monopólio de Deus sem deixar os outros no inferno, seria injusto, inadmissível.
E aí surgem os pregadores.
E a natureza é perfeita, o mundo é perfeito e o universo é perfeito e Deus fez a perfeição.
Entrar numa religião é engajar-se em dogmas e leis estabelecidas.
Deus anda falando muito através de pastores sem idoneidade, acho isto perigoso, uma porta aberta para o fanatismo, e preocupo-me com o destino das gerações futuras.
A misericórdia e o amor ao próximo, forçosamente, esvaem-se nos que seguem  seus credos.
Quando não concordamos com suas doutrinas, perdemos o amor de Deus e perdemos a vida eterna.
Como é fácil ter amigos que se submetem a nossas doutrinas e concordam conosco, mas como é difícil mantermos-nos amigos de uma ovelha desgarrada.
Amamos os que nos seguem, não é mesmo? Mas essa não foi a missão de Jesus!
Aos infiéis, deixamos o desprezo e a ira de Deus.
Temos que salva-los do inferno.
Falo com mágoas, porque sei que existem pessoas de bem, que seguem e pregam os ensinamentos de Jesus com fé e amor.
E diga-se de passagem, alguns, com sua compaixão, fazem milagres.
Quando o princípio está certo, quando o amor é um sentimento puro e verdadeiro, maravilhas acontecem e tudo dá certo.
Mandam-nos pregadores, pessoas que entram em nossas casas e tornam-se amigos de nossa família, e são bem recebidos.
Mas ao primeiro sinal de não conseguirem atingir os seus objetivos de catequese, afastam-se sem remorsos.
Trocam-se os missionários de tempos em tempos, nunca são os mesmos no mesmo lugar.
Evitam-se os elos de amizade e sentimentais.
Deixam-nos, talvez, sem saudades.
São insensíveis de alma e de coração, infelizmente, apenas missionários juvenis encarregados de uma missão.
Olhem em nossos olhos seus pregadores juvenis.
Simplesmente tragam-nos um aperto de mão.
Sintam nossas vidas de verdade e comunguem nossas amizades com o coração.
Bebemos, fumamos, temos nossos vícios, mas não somos só desregrados e desgarrados, somos puros de coração e amamos a Jesus.
Não usem seus jovens mandatários.
Ensinem-os e tragam-os para participar da verdadeira religião.
Da religião divina do amor e da confraternização, que é a única e verdadeira.
Deus está em todos.
Somos responsáveis por quem cativamos, entendam isto seus pregadores, antes de colocarem seus interesses fervorosos em primeiro lugar.
Às vezes, sinto que há mais fiéis sinceros fora da Igreja do que dentro dela.
Não podemos ter apóstolos vivos neste mundo.
Apesar de insinuarem ao contrário, todos os apóstolos escolhidos por Jesus já morreram.
Talvez, apenas um dentre eles possa estar vivo, mas nem isto é uma certeza, é apenas uma questão filosófica, uma divagação mágica para entreter nossas quimeras.
E, apesar de todos os seus defeitos seus pregadores, nós amamos vocês.
E Isaías, venho antes deste desabafo.

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