
" O príncípio puramente espiritual manifesta-se através de algo irradiante...
um "signo " ou "sinalização astral".
O Louco — G. O. Mebes
Setembro de 2007
Certa tarde, sentados atrás do balcão da ferragem, Peter contou-me uma história estranha.
Uma visão misteriosa, interessante, mas fugaz, sem nexo e referências visíveis.
Achei-a uma história bonita, por isso decidi contá-la aqui, apesar de continuar totalmente desconectada de nossas realidades e desprovida de qualquer sentido para nós.
Foi um signo ao léu.
Uma curiosidade, uma percepção visual jogada ao tempo de nossos encantamentos e sonhos fiéis.
Peter contou-me que lá pela uma hora da madrugada, de volta para casa, passou por uma praça perto da loja.
Como a noite estava agradável ele resolveu ir caminhando devagar, pensando na vida, curtindo o clima.
Peter, como nós, gostava da noite.
Contou-me que naquele dia o céu estava repleto de estrelas, sem nuvens, e uma brisa amena soprava por ali.
Esclareceu-me:
— Você conhece a praça Celso. Ela é bem pequena e tem um ponto de táxi na esquina. É bem perto daqui. Fica bem aqui na esquina. — e fez um gesto com a mão. — É Logo ali, no cruzamento da via principal. No centro, tem uma grande árvore copada cercada de relva. É aqui bem perto da loja! Lembrou?
Peter enfatizou.
— Claro! — respondi eu idiotizado.
E é claro que a pracinha ficava bem perto dali.
E também é claro que a insistência de Peter se devia ao fato dele saber que eu era um desligado de nascença, não por que me considerasse um senil, acredito.
Agora, um pior ouvinte do que antes, um alienado com tantas preocupações, sobrevoando as nuvens, preocupado com tantas mágoas e desilusões, e explosões.
Mas, felizmente, nesta tarde, em suas dissertações, ele não tinha muito o que falar.
Sua história era curta, não requeria muito esforço.
Não solicitou ferozmente minha atenção, e eu não tive muitas dificuldades para o ouvir e aterrissar.
O fato invulgar é que quando Peter aproximou-se da árvore, ele viu uma mulher e uma criança conversando ao relento.
Saboreando sua visão, comentou-me sua história medonha:
"A mulher estava sentada na relva Celso, encostada na árvore.
Ela estava conversando com a criança, que estava de pé, de frente pra ela.
A criança devia ter uns cinco anos de idade.
Eu estranhei vê-las naquele local àquelas horas da madrugada.
Enquanto eu me aproximava, observei que a mulher escutava a criança.
Devia ser sua filha, pensei, pois enquanto a criança falava, a mãe afagava o seu rosto, olhando em volta, como se estivesse esperando alguém."
Peter continua:
"Quando me aproximei da árvore, ouvi a mulher murmurando algo para a menina.
Achei que fosse algo sobre seu pai.
A criança estava cabisbaixa, parecia triste, não muito animada para a sua idade.
Cheguei mais perto para ver se as conhecia.
Logo surge um carro em alta velocidade que me desviou a atenção.
Fiquei confuso.
Quando olhei para a árvore, as duas tinham desaparecido.
Olhei para os prédios ao redor e não vi ninguém.
Elas não poderiam ter ido longe, não poderiam ter desaparecido em tão pouco tempo.
Continuei a procurar.
Mas que coisa incrível Celso, elas sumiram!
Não acreditei!
Parei na calçada ao lado da árvore para olhar.
Tentei achar algum vestígio delas, alguma sinal que me confirmasse que elas estiveram ali.
Então, sem achar nada, segui meu caminho atento.
Observei a rua durante todo o percurso de volta pra casa, esperando encontrá-las novamente; porém, sem sucesso."
Depois do relato de Peter, algo inusitado aconteceu.
Vou contar o que vi:
No outro dia, após o meio-dia, quando eu retornava para a loja, passei pela pracinha pela calçada oposta.
Do outro lado da avenida, olhando rapidamente para a pracinha, vi uma mulher e uma criança.
A mulher estava sentada, encostada no tronco da árvore, enquanto uma menina brincava faceira à sua volta.
Segui adiante e esqueci do fato.
No dia em que Peter contou-me a visão, não achamos justificativas plausíveis para o que ele viu, até achei que estivesse inventando estórias.
Mas, agora, à tardinha, algumas horas depois que vi a mulher e a criança brincando à sua volta na pracinha, Peter voltou a relembrar sua história.
Quando começou a compará-la com histórias semelhantes que teve com fantasmas, é que fui correlacionar os fatos.
E Peter ouviu-me contar.
Aos poucos, fui lembrando da mulher, da criança, da árvore copada...
Os ventos trazem sensações e sentimentos confusos.
O que vi foi real, tenho certeza disso!
Mas, o que Peter viu?
O que isto significou?
Foi uma outra realidade?
Uma interposição no tempo?
Uma premonição?
Um sinal?
Mas, de quê?
Nunca encontramos explicações plausíveis para o caso, nem tampouco correlações desta visão com nossas vidas.
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