quarta-feira, 10 de outubro de 2012

DIMITRYUS


Quando acordamos na vida, temos tantos sonhos para realizar.
Queremos andar numa roda gigante, cavalgar pelos céus que acreditamos ser nosso, olhar de cima para o mundo.
Queremos brincar, desbravar, viajar, velejar, voar, nos emocionar.
Queremos misturar, confundir as cores.
Queremos conhecer outras vidas, outros planetas, queremos sonhar.
Sentimos prazer em amar.
Ao nascer do sol somos os deuses de nossas quimeras.
Ao ocaso, muitas coisas para relembrar.

Celso Orsini


Dimitrys foi o segundo jovem  a procurar-me.
Muito calado e respeitador, seguiu os passos de Samara e aproximou-se de mim.
Ele e Samara estudavam no mesmo colégio e eram amigos de infância.
Nesta época os dois jovens eram inseparáveis.
Tudo aconteceu rapidamente, alguns dias depois de começarmos os estudos, Dimitryus chegou.
Ele, que não era bobo, nem sequer arriscou-se a pedir permissão para entrar.
Simplesmente entrou pela porta dos fundos e sentou-se conosco, e ficou ouvindo minhas explicações sobre tarô e cabala.
Dimitryus me cativou com sua ingenuidade e simplicidade.
Maravilhei-me com sua atitude inconsequente e enterneci-me com a amizade dos dois.
Começamos uma amizade sem apresentações, uma simpatia silenciosa.
Ele nem sequer olhava para as cartas que jogávamos e raramente me dirigia o olhar, era muito tímido.
Apesar de seu silêncio, de sua timidez e de minha perplexidade, foi uma outra amizade que se eternizou.
Um jovem de 14 anos, alto, cabelos e olhos castanhos escuros, de compleição média e de índole muito boa.
Apeguei-me a Dimitryus como a um filho, com um carinho especial.
Dimitrius, como vim a saber, era protetor de Samara e defendia-a dos ataques das "trevas" e dos "vampiros".
Uma vez chegaram a sair pela cidade de estacas nas mãos para matar os malditos vampiros.
"Vê se pode isso?!"
Dimitryus contou-me:
— Um dia à tarde, fui convidado para a festa de aniversário de meu amigo de escola.
Todos os anos ele me convidava para comemorarmos o seu aniversário.
Mas naquele ano Adão estava na festa, uma amizade que iria mudar o curso de minha vida.
Meu amigo me comentou que Adão tinha conhecimentos ocultistas.
Depois, como o aniversário estava entediante, resolvemos sair para a pracinha do bairro conversar.
Num certo momento, coisa de criança, ateamos fogo numa plantinha, só que o fogo não pegou.
Adão, interferindo na brincadeira, fez um símbolo na areia com uma varetinha e o vento parou.
Nos encontramos meses depois e ficamos amigos.
No colégio, havia uma jovem que chamava muito minha atenção por suas roupas e seu estilo.
Ela usava pentagramas e vestia-se de preto.
Eu achava o máximo!
Interessado pela magia, me aproximei e perguntei se ela era Wicca.
Ela disse que sim!
Seu nome era Tana e ficamos amigos.
Impressionávamos todo o colégio.
Ora, éramos crianças da 7ª série, de roupas pretas, usando símbolos mágicos, achavamos que éramos deuses, bebíamos e fumávamos.
Éramos os rebeldes do colégio.
Enquanto Dimitryus contava-me sua história, eu recordava-me da alegria de Sara ao falar-me das bruxas de seu colégio.
Ela esqueceu-se de me contar, ou decerto nem sabia, que entre as bruxas havia um bruxo.
Hoje, no dia em que decido publicar sua breve história, coincidentemente, Dimitryus completa 21 anos de idade.
E por este sinal Dimitryus, meus parabéns por todos os anos de sua vida.

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