quarta-feira, 10 de outubro de 2012

NOTAS DO AUTOR



                                                          Parte I

As histórias que publiquei neste livro, com algumas exceções, ocorreram no período de uma década, aproximadamente entre os anos de 2000 e 2010.
Foram histórias extraídas do meu cotidiano e aconteceram exatamente como as contei.
São passagens de momentos únicos e fascinantes, que se iniciaram num marco indelével, numa noite inesquecível de dezembro, quando saí de casa para caminhar.
São relatos de experiências únicas e memoráveis, que vivi ao longo de uma década.
Exponho nelas meus pensamentos e minha sensibilidade, e, em grande parte, minha longa e gratificante convivência com os jovens bruxos e com muitos amigos que surgiriam depois.
Naquela noite encantada tudo começou.
Os acontecimentos sucederam-se rapidamente, e o meu mundo girou.
Se existe alguma predestinação, este foi o meu dia predestinado.
Naquela noite o despertar chegou sem avisar, como uma iluminação, um êxtase divino, uma experiência surrealista, trazendo-me à tona, em minha alucinação, o reencontro de uma paixão imortal.
E, a partir daquele instante, um novo horizonte surgiu e se sobressaiu de minhas angústias passadas.
E, apesar das tristezas de uma vida perdida em incompreensões, a recompensa chegou.
E a alegria foi o meu bem maior, privilégio que surgiu da indescritível felicidade de me conhecer e de ser.
Encantamento que proporcionou-me o fulgor extasiante de amar a vida e as pessoas como elas são, com um outro sentir, um outro querer.
Fascínio que me fez suportar o exílio de um martírio cruel, pelo simples prazer de amar a vida, de viver estes momentos únicos e incríveis que se apresentavam a mim, e de me apaixonar novamente.
De apaixonar-me pela vida, pela simples razão de viver este idílio enebriante que nascia dentro de mim, e que me envolvia e me engrandecia como ser, sem nenhum interesse pessoal ou mesquinhez.
E esta felicidade esfuziante despertou-se com um estalido estranho em meu cérebro, e foi o meu bem maior.
Apenas um som seco e breve, de curta duração, mas que chegou devastador, como uma qualidade celestial, um privilégio, uma exaltação do meu ser, um dom.
Senti-me como um viajante de terras longínquas aportando num paraíso encantado, impressionado com as riquezas que via por aqui.
Admirei-me com a imponência dos seres, com as belezas do mundo, as incógnitas da vida.
E ao girar da roda da fortuna, nesta noite encantada de Dezembro, este foi o meu sentimento puro e forte que aflorou.
De amar a vida e as pessoas como elas são, com uma outra visão, um outro querer, uma outra razão.
E compreendi que este poder vinha de Deus, e que eu era apenas uma onda pequenina neste oceano.
Uma onda que nasceu ínfima num instante para projetar-se para além do seu meio.
Uma onda que aventurou-se por lugares fantásticos e sombrios, para ver o que todos não viam, sentir o que não sentiam e saber o que não sabiam, e me extasiar.
Uma onda pequenina e bravia, que lutou por seus direitos e princípios desde o início.
Lutou por sua liberdade e dignidade, mas que, ao afinal, vencida por críticas assediantes e demônios astrais, esmoreceu.
Acovardou-se para seguir em frente, para libertar-se de velhos hábitos e padrões, para aceitar o que há muito tempo já pressentia.
Mas, hoje entendo que tudo teria que acontecer assim.
Sempre lutei para fugir do lugar onde deveria estar.
É isto o que compreendi.
O ser humano é único e irrepetível em sua essência, uma onda pequenina a enfrentar o oceano da vida.
Um ser que nasce invisível do ventre do mar, que, corajoso, avança para se individualizar e lutar por seus sonhos e ideais.
Muitas vezes queda-se acidental, outras vezes, hostilizado pelo meio, sucumbe, quase sempre subjugado por preconceitos e concorrências, muitas vezes vencido pelo acaso.
Uma onda que desespera-se no ritmo inconstante das marés.
Que ama, sofre, chora e sorri.
Uma alma que num instante envolve-se frágil num corpo, necessitando de cuidados até para sobreviver.
Que luta enfim para vencer os seus obstáculos e superar os seus limites, neste grande enigma que é viver.
Uma empuxo que destinou-se a brilhar e a alçar os voos mais altos que possamos imaginar.
Uma onda que nasce ínfima num instante, avoluma-se na trajetória para erguer-se majestosa noutro instante.
Que projeta-se para além de seu mundo para compartilhar, para deixar sua herança.
Uma onda que alarga-se para brilhar, neste mar agitado de sentimentos e desejos em ebulição, neste mar de perigos e incertezas.
Uma onda corajosa e passageira.
Um destino que se esvai e se repete pela eternidade, uma onda pequenina nesta imensidão.
E neste tempo que destaquei e confinei numa década, um livro encantado de arquétipos descortinava-se para mim.



                                                           Parte II

Exceto pela citação de meus dois filhos, minha sobrinha e meu sobrinho, alterei o nome de todos os outros personagens, no intuito de salvaguardar suas privacidades.
Por serem histórias que guardei de memória, procurei na introspeção e na ajuda de alguns amigos protagonistas, resgatar suas autenticidades.
Em minhas exposições, reportei-me exclusivamente aos fatos condizentes e convenientes com as citações.
No resto, na medida do possível, calei-me, tentando evitar que invadissem, por inferências, a vida pessoal de seus integrantes, que não nos interessam e que não cabem a mim divulgar.
Algumas descrições, que por fidelidade ao texto, ou que inadvertidamente ousei publicar, pudessem revelar a identidade de alguns de meus personagens, afianço que, com o tempo, cairão no esquecimento e só os mais próximos saberão.
Todas os comentários e opiniões abordados neste livro, partiram quase que exclusivamente de minha visão e compreensão dos fatos que presenciei.
Algumas versões e opiniões citadas por alguns de meus personagens, deixei-as destacadas em minhas histórias.
Peço desculpas a todos os que, de uma forma ou outra, magoados, sentiram-se injustiçados em algumas de minhas histórias e discordaram de minhas opiniões, credito a mea culpa.
Sou inteiramente responsável pelo que escrevi.
E se alguns de vocês se decepcionaram com o meu enfoque crítico, insinuando que errei em minhas avaliações, com certeza têm razão, pois sempre soube que são maiores e mais complexos como seres humanos, do que os das breves histórias que contei.
E se divaguei incoerente e fantasioso em algumas delas, com certeza se deveu à minha ineficiência de julgar e de compreender as minhas ações, aceleradas pelas minhas loucuras e pelos êxtases do momento.
Mas, se quero ser honesto para comigo, tenho que deixar minhas verdades.
Tenho que dizer o que pensei e senti nesta época turbulenta de grandes mudanças pessoais.
Atualmente, com certeza eu não agiria da mesma forma, e minhas ações e opiniões seriam diferentes.
Hoje, mais amadurecido, talvez eu recuasse e recusasse o viver.
Talvez voltasse a encarcerar aquela criança bendita que pedia-me para brincar, e desistido de viver.
E muitas coisas que conto aqui não teriam acontecido.
Mas nada se perde quando não se tem nada a perder.
E nada se justifica quando não viemos para nos justificar.
E tudo é permitido para aquele que nasceu para brincar, se conhecer, para entender.
E quando já não temos mais nada a perder nem o que justificar, quando começamos a olhar para dentro de nós, todos os erros e enganos que vivemos não passaram de sombras, conceitos fugazes, armadilhas da vida que temos que transcender.
Viemos para nos iluminar, sentir o amor.
E no presente imortal, aquela criança amorosa andava cada vez mais irrequieta e ansiosa.
Andava cada vez mais descontente comigo, queria explorar o meu mundo, queria brincar.
E reafirmo que, todos os pontos de vista que expressei foram unilaterais e de minha inteira responsabilidade.
E que de nenhum modo, e por nenhum ação tácita, escrevi minhas histórias num intuito vingativo ou para denegrir a imagem de alguém.
E se ficaram verdades em minhas histórias, não as trouxe aqui para discriminar, nem para me vingar.
Deixo-as somente como um testamento.
Amei a todos sem exceção e tentei protegê-los.
E se fizessem algum mal a vocês, que o fizessem a mim.
E se amei alguém um pouquinho mais ou um pouquinho menos, isto foram lá, coisas do coração.


                                                           Parte III

Com a ajuda de Lucius, explorei minhas experiências e aventuras, em histórias como "Um devaneio com Lourein" e "Evelyn", por exemplo.
Revivendo nossos loucos momentos do passado, acredito que agora mais lúcidos e racionais, concordamos em dois pontos.
Concordamos que nestes contos que o citei,  nossos sentimentos foram iguais, e que os fatos aconteceram a semelhança que os descrevi.
As diferenças que pleiteamos, não passaram de incontestáveis enfoques pessoais.
Logicamente, que não conversei com todos os envolvidos.
Alguns se foram antes de eu iniciar os meus contos.
Hugo, a peça chave no desencadear de todos os acontecimentos, responsável pelas espantosas previsões que mudaram o curso de minha vida, não o conheci pessoalmente.
Nesta época, por mea culpa, não lhe dei a devida importância.
Infelizmente, todos os insights que dele recebi, inclusive a mais impressionante profecia de todas — as jovens bruxas — me vieram por intermédio de Kátia, minha sobrinha.
Kátia, apesar de insistir para eu conhecê-lo pessoalmente, eu, muito reservado, esquivei-me do contato.
Ainda hoje quando nós encontramos conversamos sobre ele.
Lembramo-nos de Hugo como uma pessoa gentil, sensível e iluminada, e sentimos por ele um grande apreço e admiração, apesar de ter desaparecido para sempre da vida de Kátia.
Silvia, Karla, Inocência, a senhora do Reiki, Evelyn... e tantos outros personagens que tive o prazer de conhecer nesta década, não mais os reencontrei.
E à medida em que escrevia minhas histórias, quando as confusões instalavam-se em minhas memórias, meus jovens amiguinhos ajudavam-me a reescrevê-las  com suas recordações.
Assim, obriguei-me a refazer o texto de meus contos várias vezes, a fim de enriquecê-los com os detalhes esquecidos.
Fiz-o, também, quanto a forma, mas nunca quanto ao conteúdo.
Ficaram poucos registros desta época.
Algumas datas esclarecedoras obtive-as pesquisando em antigos papéis, que ainda guardo em minhas pastas de cabala.
Algumas outras, coloquei-as por aproximação.
A diversidade de experiências e a intensidade com que foram vividas nesta década, somadas a minha longa amizade com os jovens bruxos, acarretaram-me uma grande dificuldade para compor os contos em ordem cronológica.
Posso ainda ter errado em alguns pormenores, mas acho que consegui delinear o meu horizonte, se não com sua exatidão, pelo menos em sua compreensão.
Foram anos de entraves mentais, falta de clareza e esquecimentos, com grande dificuldade para alinhar-me com datas inconciliáveis e fugidias.
Mas, agora, acredito que finalmente conseguir iniciar minhas histórias pelo início e terminá-las com um fim.
Peço desculpas a todos os que não inclui em meus contos, ou por esquecimento de momentos vividos que não consegui resgatar, ou talvez por histórias que ainda não decidi contar, porque, afinal de contas também sou um temperamental, um pouco rancoroso.
E se não escrevi sobre vocês, seus relegados, lembro-me de cada um.
Agradeço a todos os que vivenciaram comigo esta jornada de êxtase e iluminação, e que presenciaram os meus dramas e pesadelos, e mesmo assim permaneceram fiéis ao meu lado, nesta louca aventura que é viver.
Agradeço a todos vocês pelo carinho, a amizade, o apoio, o respeito e a compreensão que sempre tiveram por mim.
Aos outros, não tão amiguinhos assim, perdoo-os por suas malvadezas.
E aos demônios, em geral, espero mantê-los afastados, e almejo que se convertam, duas coisas quase que impossíveis de se suceder.
Os jovens, apesar de suas poucas idades, objetivamente, pois de resto não os sei avaliar, sempre me trataram quase que como um igual, e nunca os considerei como filhos, como pensavam e pensam alguns até hoje.
Mas os jovens sabiam disso, e sabiam que eu os respeitava como amigos.
Apesar de estudarem numa época de escuridão no Brasil, nunca me trataram por codinomes infantis: tais como tio, tiozinho, etc, vícios de tratamento tão em voga em nosso País, legado de escolas públicas nacionais, e levados por alguns, absurdamente, até a idade adulta.
E são vícios linguísticos que até hoje abomino e não aceito, me desculpem os egrégios orientadores de nossas escolas.
Nossas crianças merecem o melhor, e não precisam  de subterfúgios para se socializar.
Não as deseduquem, não as desrespeitem, tratem-nas como espíritos de luz.
O amor que sinto por meus filhos faz parte do meu ser e nunca os comparei a ninguém, e o parentesco, como sabemos, tem suas razões genealógicas para existir.
E espero que quando estiver bem velhinho, só os meus netos, se por acaso os tiver, venham me visitar com esta indagação: Oi vovozinho, como você está?


                                                           Parte IV

Peter, certa vez, inseguro em sua carente posição, talvez ciumento, indagou-me sobre uma possibilidade que o incomodava.
— Você sempre preferiu mais as gurias do que a nós, não é mesmo, Celso?
Sua pergunta foi indiscreta, direta e inesperada, pegou-me de surpresa enquanto eu voltava da vídeo locadora pela porta dos fundos.
Confundiu-me, tive que pensar.
— Não sei, Peter!... Talvez você tenha razão... Não sei... Meus sentimentos por elas foi forte, foi diferente. Não sei te explicar, foi especial. No começo, com certeza eu preferia mais a elas do que a vocês, mas agora, vejo que não. Pensei muito sobre isto, e hoje vejo que todos vocês estiveram em meu coração. Eu gostei de todos, sem exceção, senão já teria mandado todo mundo embora daqui, e teria ficado só com elas, não é mesmo? Mas uma preferência sempre existiu Peter, não adianta negar... Elas são mulheres... é diferente...
— Eu te entendo, Celso. — respondeu-me ele.
— E se não fosse pela coragem de Samara — emendei  — acho que nada disso teria acontecido, não é mesmo? Se não fosse pela coragem de uma guriazinha de apenas 14 anos de idade, eu jamais teria conhecido vocês.
— Eu te entendo, Celso.
Ele concordou ele, balançando a cabeça.
E eu me emocionei.
E paramos por aí, porque realmente o afeto que eu sentia por eles era muito grande.
E este afeto sempre foi o motivo principal para tantas incompreensões familiares e difamações que sofri.
Guardei muitas mágoas desta época e grandes foram as decepções.
Mas uma coisa é certa, se as cicatrizes ficaram e se às vezes doem com as mudanças climáticas, eu já nem me importo mais e sigo em frente.
E digo que, com o passar tempo, algumas delas parecem que já nem doem mais.
Mas outras, infelizmente, deixaram marcas indeléveis em minha alma.
Peço desculpas a todos os que, de uma forma ou outra magoaram-se com meus enganos ou com minhas broncas e incompreensões.
Certamente que elas não foram propositais.
Raramente eu descontrolava-me,  mas, às vezes, quando minhas águas invadiam um solo estéril,  minhas barreiras fragilizadas transbordavam e eu tinha lá minhas explosões temperamentais.
Sei que aconteciam pela minha opressão.
Chegara a uma fase da vida em que me decidira a dar um basta nas brigas e me proteger.
Sem defesas, para não me incomodar, no rugir mais alto das feras, adaptei-me a ouvir calado às divergências, e quando pudesse escapar, sumia.
Eu queria ser feliz, ser livre.
Nunca gostei de brigas e muito menos de discussões desarrazoadas, mas estava difícil eliminar estes males de minha vida.
Então, inevitavelmente, quando as represas se abriam com tantas intromissões, falsidades e desamores, vinha o choque da vazão.
Em meu descontrole, meus sentimentos entravam em ebulição, e embutiam-se ferozmente com minhas ânsias infinitas de libertação de rígidos padrões de comportamento e preconceitos sociais, que impediam-me de viver e ser feliz.
Meus amigos até que tentavam minorar a situação e me compreender, e me perdoavam pelas fúrias momentâneas que, afinal de contas, não eram tantas assim.
E agradeço a todos os que estiveram comigo nesta época.
Mas, na verdade, eu precisava reencontrar-me.
Eu precisava libertar aquela criança adormecida que, incontida, procurava novos desafios e que tinha ainda a ânsia e a vontade de viver.
Infelizmente, abandonei-a num passado distante, numa esquina qualquer de uma outra rua, num momento transitório de uma outra idade.
Abandonei-a esquecida pela insuflação de meu ego, no meio de tantas lutas inúteis e ambições desmedidas, esquecida pelas responsabilidades da idade adulta.
E agora raríssimas vezes eu a ouvia suplicar os meus cuidados e a minha proteção, e quando isto acontecia, sentia que olhava-me: Ora triste, ora alegre.
E suplicava-me ansiosa:
— Vamos Celso, vamos brincar!
E ela vinha socorrer-me como a um náufrago, amorosa, desesperadora.
E nestes tempos passageiros e determinantes em que despertei, apesar de tudo e de todos, eu me amei como nunca havia me amado antes.
Amei-me incondicional.
E para os incrédulos e cegos, tenho a dizer:  " Que entre o nascer do sol e o ocaso, por toda uma vida, por todas as simpatias e antipatias que senti, por todas as minhas explosões temperamentais, minhas sinceridades.
As antipatias eram naturais, nasciam da divisão do meu ser, mas nunca foram um ponto final.
Surgiam apenas por uma inadequação as suas vozes, que premiam meu coração e tiravam-me a liberdade de ser quem eu sou, e traziam-me à tona sentimentos de revolta contra as invasões gratuitas e hostis ao meu meio, que atingiam os meus sentimentos, agrediam o meu psicológico e minha integridade.
E eu precisava viver a minha vida, precisava urgentemente viver a minha preciosa vida e arriscar os meus conceitos, se não estaria perdido.
Eles que vivam suas vidas, gritava o meu ser desesperado, ensandecido.
E inerente a mim, no grito mais alto de minha alma, eu sentia que acabaria amargurado, senão revoltado em minha despedida, como tantos outros ficaram antes de mim, se não fizesse o que queria fazer.
E neste tempo que relatei, o amor aflorava em meu coração.
E aflorava com a força de um gigante, despedaçado pela força de anões.
E pelo rumo que as coisas tomavam, no conflito de todos os interesses pessoais e mundanos do meu meio, eu já estava a ponto de desistir de meus sonhos, eu iria perder a batalha.
E diziam-me que sonhar é coisa de loucos, que amar a muitos não fazia sentido, é fugir da realidade, como se nada mais existisse além da matemática lógica e fria que vemos.
E diziam isto logo para mim, que apesar de ser um matemático, sempre fui um sonhador, que sempre persegui o pote de ouro por detrás do arco-íris; e, infelizmente, ainda sou assim.
Podem me dizer, com razão, que ainda não cresci, pois ainda o quero para mim, mas já começo a aceitar que jamais o encontrarei por aqui.
Mas de loucos pragmáticos, e inconformados socializados, que vivem suas realidades e parecem não sonhar, o mundo também está cheio.
Então, se nós, ambos os loucos estamos errados, acho que o caminho não deve ser por aí, temos que transcender de uma outra — hoje, começo a perceber qual seja.
E dentro de nós existe um louco que veio do além nos seguindo.
Um ser maravilhoso, um ser transcendente que veio para este mundo para se deliciar, desbravar e brincar.


                                                            Parte V

Se você aponta um dedo para alguém, por defesa, por antipatia ou por desespero, vários apontarão os seus dedos contra você e o acusarão.
Vivemos em matilhas, mas somos seres individualizados.
Se tentamos nos defender de suas críticas insanas e comportamentais, aí sim, a felicidade virá, pois irão nos apedrejar.
Então o certo a fazer é não acusar ninguém, nem se defender.
O certo a fazer é calar o nosso ego, aceitar, nos respeitar.
Com o tempo eles irão parar e a  paz voltará.
Com a quietude interior a alegria virá.
A agitação mundana deixará de ser a nossa inquietude e não mais nos afetará.
Deixei as portas abertas da loja e do meu coração e me enganei.
Jesus amou a todos, somos incapazes disso, com certeza.
Agora, respeitar a todos, isto sim, podemos fazer.
Ser respeitado é um direito e um exemplo de amor conosco, e nestes tempos eu não estava disposto a aceitar nada mais do que isso para a minha vida.
E neste tempo que passei, para não brandir uma espada, não atingi os meus objetivos e nem a minha felicidade, pois a espécie humana não se adapta muito bem a estes agrados existenciais.
Então, naqueles momentos de tensão, quando os meus sentimentos explodiam ensandecidos com minhas mudanças psíquicas e tantas agressões do meio, com sinceridade, não guardo culpas quanto a isto.
Vim ao mundo para aprender e conhecer.
As pessoas que se magoaram com minhas atitudes, levaram para o pessoal, o que era impessoal.
Julgaram-me por suas soberbas, não me compreenderam, assim como eu, na minha busca ensandecida por outros valores espirituais, não os compreendia também.
E foi uma busca desesperada pelo meu ser, uma ânsia do meu coração.
Devíamos nascer sabendo, devíamos nascer velhos.
Perdemos muito tempo na busca da iluminação.
E esta aventura foi uma busca irrevogável e irreversível, uma viagem de encontro ao meu eu.
Foi uma luta por minha sanidade, não uma luta contra alguém.
Foi uma luta para me conhecer e respeitar, para livrar-me de minhas desesperanças.
E se aceitei a crucificação, não foi por uma dor atroz, nem por algum desmerecimento, mas sim como um meio de descobrir minhas origens, tão confusas e incompreendidas por mim.
E se em minhas experiências de vida descobri que me crucificaram por suas vaidades e preconceitos, sem a mínima humildade para me entenderem, já não me importo mais.
Decerto, pensavam alguns, que eram muitos — ninguém é melhor do que eu — e diziam isso subentendido em seus argumentos e, objetivamente, em suas acusações.
E eles que se diziam pessoas de bem, de caráter, exemplares, e que respiravam o mesmo ar que eu respirava de Deus.
Agora, as pessoas que me magoaram, infelizmente, acredito, perderam-se muito mais do que eu, porque perderam em vida, amizade e valor.
Quando fragilizado apareciam os moralistas, que não eram poucos, eles nunca eram os certos.
E os conselhos, todos têm os seus na ponta da língua para dar, não é mesmo?
Nunca dei aval para se aproveitarem de minhas fraquezas e de meu amor.
Aproveitaram-se porque quiseram, por soberba, para testarem suas forças por vaidades, por oportunismo, por acharem-me um fraco, mas foram mais fracos do que eu.
Aproveitaram-se por suas índoles e por seus desejos, não por minha culpa, eis a verdade.
O que deteria um animal selvagem quando se dispõe a atacar sua presa?
A ganância! O que deteria um ganancioso? O que deteria a ambição? O que teríamos que lhes dar para o satisfazer?
Teríamos que lhes dar o que querem, diriam alguns.
Mas digo, com certeza, depois que lhes dessemos o que querem, teríamos que lhes dar mais.
A luta pela sobrevivência tornou-se desleal, jogava um contra o outro, e incentivada por uma sociedade consumista e competitiva, criou monstros.
Quando estamos com alguém, ou quando dizemos que amamos alguém, nos tiram o sangue, querem nos humilhar, querem provas de nosso amor.
Com o tempo cada um mostra o que tem dentro de si.
O que viam em mim estava dentro deles, não me responsabilizo por isso, culpo-me apenas por incrédulo e inconsistente, deixar acontecer.
Os demônios que pintavam em mim, não eram os meus belos demônios tentadores e nem tinham as minhas cores.
E os anjinhos, que algumas pessoas benevolentes acreditavam ver em mim, também não eram os meus anjinhos, pois estes, ainda pairavam nos céus para me esclarecer.


                                                             Parte VI

"Sou o que sou", diz Saint Germain.
E é esta a verdade que venho perseguindo há muito tempo e que vem sendo um dos maiores desafios de minha vida, e dos quais ainda não consegui me afirmar.
Às vezes, admirava-me com a eloquência e o subterfúgio de alguns, habituados na defesa de seus interesses, de justificar o que lhes convém.
Mentes malignas.
Orgulho e vaidades é o que saíam de suas bocas, apenas para se vangloriarem de suas verbosidades e menosprezarem os outros.
No meu meio o diálogo prazeroso quase deixou de existir, tornou-se uma coisa ancestral.
O monólogo auto suficiente prevaleceu e virou uma praga atroz, bem como o diálogo, conflitante, perdeu suas razões de existir.
Críticas preconceituosas e o fanatismo — geradas pelo absurdo da ignorância e da inadequação — não eram problemas meus; aí, o colégio e a filosofia teriam o seu valor.
Muitas pessoas falam de coisas das quais nunca se deram ao trabalho de conhecer.
Falam com sabedoria de assuntos dos quais nunca estudaram, e criticam coisas pelas quais nunca se interessaram em compreender.
Julgam as pessoas pela aparência ou por que ouviram falar.
Usam suas mentes para justificarem suas afirmações e maquinações diabólicas, ou somente por suas crenças cegas, e acham que isto basta, não respeitam os sentimentos dos outros, julgam a tudo e a todos como iguais.
O mundo evolui rapidamente em quase todas as áreas técnicas e científicas, mas a mente humana, sem questionamentos sérios e filosóficos, parecem-me um prolongamento de seus demônios interiores, não evoluem, são viciadas.
Espero que vocês estejam felizes onde estiverem seus advogados do diabo, psicólogos, psiquiatras e médicos incompetentes..., e que troquem os seus caminhos por outros de paz e de luz.
E que defendam seus protegidos com integridade e com amor; e que aprendam mais e se iluminem mais para ajudar os necessitados de seus conhecimentos, caso contrário, afastem-se de suas profissões.
Sempre considerei-me um liberal, não um libertino, caros inquisidores.
E se, desde jovem, quiseram me encaminhar para o inferno, agora adulto e mais otimista, ainda acho que o céu é o meu destino.
E se alguns fanáticos religiosos me encaminharam para a morte com doenças inexistentes, ainda estou vivo.
E tive sorte, pois tenho os meus vícios.
Só não consigo entender como eles, com suas vidas regradas e proteções exclusivas, morrem também.
Infelizmente, como o tempo passa inexorável, os jovens chegaram a idade adulta.
Talvez, pela compreensão de meus sentimentos e por minha busca incessante e sincera de outros valores espirituais, é que minha amizade com os jovens bruxos tenha durado o tempo que durou.
Deixo aqui minhas histórias, que não são todas e que não são muitas, apenas como uma pequena lembrança de uma época que jamais esquecerei, e como uma homenagem a todos os que dela participaram.
E aos meus amigos sinceros, deixo aqui a minha sincera amizade e eterna gratidão.

                                                             
 Celso Roberto Orsini


Obs:                    
                                                                                                                                                             Peço desculpas aos meus leitores e um pouco de compreensão pelas constantes correções gramaticais e por minha falta de clareza em alguns tópicos deste blog.
Por ser minha primeira experiência como escritor, ainda sinto uma grande dificuldade em lidar com meu idioma.
Então, à medida em que me ilumino e me disponibilizo, vou fazendo as correções e procurando dar maior clareza as histórias que publiquei e que vou publicando.
E, com o tempo, tudo vai dar certo e tudo vai ficar bem.
Obrigado.

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