terça-feira, 9 de outubro de 2012

O SHOW DE ROCK


O SHOW DE ROCK

" Morrigan, Deusa Irlandesa da Guerra.
  Deusa da Morte e do Amor.
  Uma guerreira implacável.
  Invencível no combate, por sua força descomunal e invulnerabilidade.
  De uma beleza sem igual.
  A Rainha Fantasma.
  A Rainha dos Mortos Vivos."


Estes fatos aconteceram alguns meses depois de eu conhecer os três jovens bruxos.                            

Sábado, Outubro de 2002
                                                 
                                                  Parte I

Tana, Samara e Dimitryus marcaram um encontro para assistir um show de Rock'n Roll no colégio do bairro.
Nesta época, os três adolescentes estavam com 14 anos de idade.
Muitos anos depois, quando me decidi a editar algumas histórias do grupo, Samara contou-me:
"Eu estava sozinha em casa cuidando do meu sobrinho quando Dimitryus me ligou.
Para poder sair eu tive que deixá-lo com sua avó paterna.
Depois, fui até a casa de Dimitryus e, juntos, fomos ao encontro de Tana, que esperava-nos em frente ao seu prédio.
Eram 2 horas da tarde quando nos reunimos.
Compramos uma garrafa de vinho e a festa começou.
No caminho Tana me disse que estava ficando tonta e parou num bar pra comprar uma lata de coca-cola.
Ela bebeu um pouco, mas ao final, acabamos misturando-a com vinho.
Quando chegamos no colégio encontramos João, que trazia mais 2 litros de samba.
Eu não estava gostando do show, as bandas de rock eram muito ruins e nenhuma era do meu agrado.
João deixou a garrafa de samba comigo e saiu com Tana para namorar.
Tomei um gole, mas não gostei e parei de beber.
Nós não éramos habituados a beber cachaça, só bebíamos vinho; e, mesmo assim, só de vez em quando.
Perto de mim estava uma gurizada bem louca, cerca de 10 pessoas.
Eles diziam que iam tocar fogo nos "boyzinhos", se referindo a um outro grupo que estava bem perto de nós.
E Dimitryus, que estava comigo, muito ingênuo, pegou seu isqueiro e foi ao encontro deles.
Incentivando o grupo falou:
— Vamos, vamos!
E eu, para o tirar da confusão, me aproximei, peguei seu isqueiro e disse:
— Vamos, vamos!
Dimitryus me seguiu sem titubear.
Ele era meu guardião e me protegia dos ataques dos vampiros.
Eu já estava sendo perseguida por eles há muito tempo, e Dimitryus andava comigo para me proteger.
Depois disso afastei-me dele, e sentei na grama com a garrafa de samba e o isqueiro, ao sol.
A última coisa que me lembro antes de ter acordado no hospital, era da chama do isqueiro.
Eu me hipnotizei, como se quisesse entrar nela.
Eu tinha medo que Morrigan se manifestasse.
Eu não sei se por efeito do álcool ou não, mas acreditei convictamente que ela se manifestou.
Depois que saí do estado de coma, me contaram que eu atacava as pessoas.
Eu caía desmaiada, com o corpo mole, e depois levantava e atacava novamente as pessoas, tirando forças não sei da onde.
Eu era modelo na época e bem magrinha, pesava 45 quilos.
Mas me disseram que precisaram de 4 pessoas pra me carregar, pois eu me debatia muito e estava bem agressiva.
Acordei no hospital, num lugar estranho, apavorada.
Acordei caindo da maca, sem saber o que tinha acontecido.
Então, a primeira pessoa que vi foi minha irmã.
Ela me olhou braba e disse:
— Vem! — e saiu andando.
Eu, fraca, sem conseguir caminhar direito, tentava disfarçar que estava tonta e apavorada.
Tinha um guri no corredor esperando a namorada, que entrou em coma na mesma festa que eu.
Ele me viu no corredor e falou:
— Bah, minha... você estava tri louca!
Quando chegamos no nosso prédio, o maior desafio foi subir as escadas.
Minha irmã nem me olhava, não falava nada, sempre séria.
Em casa, ainda braba, me disse:
— Vai tomar banho Samara!
Eu estava toda molhada, sem saber o por quê?
Eu estava tão tonta que não conseguia nem tirar o coturno.
Então peguei uma tesoura, sentei no sofá, e cortei o cadarço.
Fui tomar banho, tentando me lembrar do que havia acontecido.
Foi quando olhei para os meus braços e vi duas picadas de agulhas; comecei a vomitar, fiquei nervosa, não sabia o que era aquilo.
Quando saí do banho, perguntei pra minha irmã o que tinha acontecido.
Agora mais calma, ela me contou:
— Você bebeu demais Samara. Levaram você para o hospital desmaiada. Me disseram que você se debatia muito. As enfermeiras tiveram que lhe segurar com força para poderem aplicar a injeção de glicose...
Mas eu estava tão cansada, que mal conseguia ouvi-la direito.
Então, fui dormir.
Acordei no outro dia com Adão me ligando.
Ele sempre estava presente, em todos os momentos.
Paranoico, perguntou como eu estava e disse:
— Morrigan incorporou em você Samara! Ela está ficando cada vez mais forte!
— Não acredito Samara! — disse eu.
— É verdade. — confirmou ela.

                           
                                                  Parte final

Neste dia do festival de rock, Jorge e eu, como sempre, estávamos em frente à loja conversando.
De repente, lá pelo entardecer, Tana surgiu a passos largos, muito agitada e ofegante.
Mal parou para respirar.
— Samara está mal no hospital, Celso!
— O que houve? — perguntei preocupado.
— Ela bebeu demais e entrou em coma!
— Como assim?
— Não sei, eu não estava lá! Não sei o que aconteceu! Quando cheguei lá, ela já tava mal!
— Lá, aonde?
— No festival! — respondeu-me Tana.
— Que festival?
— O festival de rock lá do colégio! — explicou-me ela.
— Ah, tá! — me assustei.
Então, Tana, surpreendeu-me:
— Faz um ritual pra curar ela, Celso! Ela tá muito mal! Ela pode morrer! Salva ela!
Sorri impotente:
— Eu não faço rituais Tana, apenas estudo cabala.
Ela inquiriu-me, sem entender:
— Como assim? Você estuda magia e não faz magia? Não faz porque não sabe ou porque não quer? — Tana estava perplexa.
Fiquei sem resposta, sem saber como ajudá-la em sua investida pueril.
Nervosa, Tana continuou:
— A Samara me mordeu o pulso Celso e vomitou em mim. Vou pra casa tomar banho e depois volto pro hospital.
— E como ela está? — perguntei eu.
— Não sei! Faz um trabalho pra curar ela Celso! Ela pode morrer! Salva ela! — e saiu correndo.
Tana era uma jovem muito especial.
Jorge me olhou intrigado e balançando a cabeça sorriu.
Até que foi engraçado, mas ele preocupou-se com Samara tanto quanto eu, e prontificou-se a ir até o hospital para saber do seu estado.
Informou-se na portaria e voltou rapidamente.
Eu espera ansioso pelas notícias.
Mas Jorge me tranquilizou.
Apesar do susto e da bebedeira, ela estava bem.
No outro dia, Tana comenta-me decepcionada:
— Ontem, depois que eu saí daqui, fui direto pra casa e liguei para a irmã de Samara, pra avisar que ela estava no hospital.
Tana desabafa:
— Eu estava no hospital esperando Samara melhorar, quando a irmã dela chegou:
— Ela nem falou comigo, passou reto...

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