
O crepúsculo
Pessoas passavam pela calçada em frente às lojas.
Era um fim de tarde de verão e, Jorge e eu, esperávamos o crepúsculo chegar.
Ao anoitecer, dizia-me ele, num determinado horário, abrem-se os portais para outras dimensões!
Esta era a lição de hoje, olhar as pessoas que passavam e questionarmos o que víamos.
Eu sempre era o primeiro a falar das minhas impressões visuais.
Jorge apenas concordava com o que eu via, ou então me pedia para focar a atenção em determinados detalhes.
Cada pessoa tem seu campo energético, o de alguns são mais expansivos que o de outros.
Em alguns casos, ficam muito próximos ao corpo físico da pessoa.
Num determinado momento estava passando à nossa frente, uma senhora idosa cheia de sacolas!
A velhinha caminhava vagarosamente, com a cabeça e os ombros inclinados para a frente e uma saliente corcunda.
Jorge cutucou-me com seu cotovelo direito e pediu-me para fixar o olhar nela e contar o que notava.
A princípio, não acreditei no que via, fiquei espantado!
A corcunda transformara-se em uma cabeça humana!
Ela carregava alguém em suas costas e o peso desta entidade a fazia arquear.
Jorge elogiou-me e disse:
— Viu como você consegue ver!
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