terça-feira, 9 de outubro de 2012

COISAS INTERESSANTES




Sempre que chegava em casa, à noite, eu costumava ficar jogando tarot e lendo um livro sobre o assunto.
Meu lugar predileto era a cozinha, ali passava minhas madrugadas solitárias.
Isto foi... no princípio... dos meus estudos.
Eu embaralhava as cartas dos Arcanos Maiores e fazia um dos jogos do livro que estudava, que iam desde um simples "passado, presente e futuro" até a complicada "roda astrológica".
Mas a partir de certa noite, as cartas, por mais que eu as embaralhasse, caíam sempre na mesma posição.
Tinha por hábito, antes de jogar, ordená-las na sequência correta, começando com a carta do "Louco" até a última carta "O Mundo".
Pensei que pudesse estar usando processos repetitivos na hora de embaralhar, pois estranhamente, as cartas caíam sempre em ordem sequencial.
Se, por exemplo, eu jogasse o "passado, presente e futuro", as cartas que caíam no lugar eram o "Louco, o Mago e a Papisa". Isso para qualquer jogo que fizesse.
Isto aconteceu — intermitentemente — por algum dias.
O que estavam querendo me dizer?

Algum tempo depois, devido ao congestionamento na cozinha, comecei a jogar tarô na escrivaninha da sala.
Uma certa noite, fiz uma pergunta e tirei uma carta.
Eu devia estar muito concentrado, pois — num "flash"  — quando olhei para a carta do "Imperador", me vi refletido em sua lâmina.
Eu estava olhando para mim mesmo!
Sentado numa cadeira giratória, num sobressalto, me atirei para trás.
Se não fossem as rodinhas dos pés da cadeira e o seu espaldar alto eu teria me estatelado no chão.

Jorge e eu conversávamos na sala, quando comecei a desfocar o ambiente.
Este exercício consiste basicamente no desenquadramento da visão e no aumento da percepção em relação ao ambiente, como se estivéssemos nos "olhando de fora, de outro foco".
Enquanto Jorge falava, eu meditava sem que soubesse.
Quando me levantei e fui buscar um cafezinho, senti a expansão do meu campo astral.
Ao retornar, a sensação que tive era como se o campo abrangesse a sala inteira.
Eu estava fora do meu corpo e ao mesmo tempo encobria-o.
Era eu, mas não a mesma pessoa, sentia-me mais jovem e saudável, perfeito e mais alto que o normal. Jorge, que era da mesma altura que eu, parecia ter diminuído de tamanho.
Olhando-me, sentiu imediatamente minha transformação, o que deixou-o um pouco assustado.
Junto com a expansão áurica, veio a expansão mental.
Sentindo-me com super poderes perguntei a Jorge o que ele gostaria de saber...

Certa noite, disse a Lucius que queria debater com ele um assunto específico, relativo a um Arcano Maior do Tarô,
Lucius, sentado a mesa, embaralhando as Cartas, perguntou-me:
— Sobre qual Carta quer conversar Celso?
Eu, um pouco eufórico, determinei:
— Tire a Carta e me dê!
— Qual Carta?
— A que eu quero! Embaralhe e tire.
Lucius, sem entender, tirou uma Carta e me entregou-a, sem virá-la.
Eu peguei a Carta e joguei-a na mesa, dizendo:
— É sobre esta Carta que eu quero falar contigo hoje!
Lucius, entre incrédulo e desconfiado, olhou-me sem entender.
Perguntou:
— Você sabia que eu ia tirar esta Carta?
— Sim.
— Como você sabia?
— Sabendo. — ironizei.
A Carta tirada por Lucius foi o "Louco, incrivelmente, a Carta que eu queria debater com ele aquela noite.

Uma certa noite, passeando pelo shopping center do bairro, deparei-me na vitrine de uma loja, com alguns baralhos de tarô.
Lembro-me perfeitamente que um deles era o Tarô de Marselha.
A atração foi irressistível, fiquei hipnotizado pelas cartas.
Senti minha libido aflorando incontrolável e sem motivo.
Isto era ridículo!
Como todo bom capricorniano, na dúvida entre comprar ou não, fui embora.
Só depois, com meus estudos, vim a racionalizar e entender o que aconteceu.


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